
Quando não tenho nada de mais útil para fazer, costumo ocupar a minha cabeça com divagações, com pensamentos transcendentais, tentando arranjar explicações possíveis para a nossa aparentemente aleatória existência .No outro dia decidi ler a obra o "Existencialismo é um Humanismo", de Jean Paul Sartre com os devidos comentários do nosso bem conhecido Vírgilio Ferreira, que numa breve explicação , cheia de brilhantismo,nos esclarece sobre esta corrente filosófica.Leio páginas e páginas e penso se haverá, ao cimo da terra, algum ser minimamente inteligente que acredite naquelas sandices sobre a forma de palavras?!O existencialismo ateu, que é predominante e suficientemente transmitido através das obras de Jean Paul Sartre e de André Gide, entre outros, propugna que a existência precede a essência, sendo o "Homem colocado no mundo" ao acaso, contruíndo-se à sua inteira mercê, sendo totalmente livre nos caminhos que trilha, não havendo qualquer imposição, de natureza moral ou sobrenatural, que se lhe sobreponha.Quanto a Deus,a sua figura é substítuida pelo Homem, que estando colocado no centro de tudo e todos, toma as suas decisões, inspirando a humanidade, que têm os olhos postos em si, seguindo potencialmente os seus exemplos, e perante a qual é responsável pelas atitudes menos certas que eventualmente tome, pois como diz Virgílio Ferreira"A Liberdade pressupõe sempre a Responsabilidade".
Perante estas linhas não posso deixar de ficar chocado com tamanha "esquizofrenia" e.O existencialismo, a meu ver, e erradamente, parte do princípio que o Homem é verdadeiramente livre para optar, para construir o seu próprio projecto de vida, o que não se verifica, pois como diz Ortega & Gasset "O Homem é o Homem e a sua circunstância", sendo o meio e a socialização adjacente, factores incontornáveis na construção da pisque humana.A criança vem ao mundo completamente fragilizada, quer do ponto de vista físico, quer do ponto de vista psicológico, absorvendo acriticamente os valores que lhe são transmitidos mais proximamente pelo ambiente familiar e mais remotamente pelo ambiente social onde se insere.Mesmo que posteriormente se revolte contra esses mesmos princípios morais e se ressocialize, a "marca de fogo" permanece no inconsciente, servindo de pano de fundo aos mais diversos comportamentos....e assim como dizem os Girls against Boys numa música, que inspirou o nome de um album , "You can´t fight what you can´t see".Para além disso , e para cúmulo do absurdo, Heidegger vem-nos ainda dividir a existência em autêntica e inautêntica, sendo a primeira típica do Homem que se autoconstrói longe dos outros, seguindo a sua própria moral individual,que à revelia de tudo e de todos,lhe mostra qual o projecto de vida a seguir.Já a segunda demonstra-nos a figura do Homem corrompido pelos outros, que se autoconstrói à sombra dos valores alheios.Perante isto, e não deixando de manisfestar desde já o mais profundo respeito por estes ilustres filósofos, pergunto:Acreditariam, no fundo, estes senhores que, em qualquer sociedade contemporânea minimamente desenvolvida, é possível encontrarem-se existências totalmente autênticas ?Qual será o significado da palavras socialização primária e socialização secundária no dicionário "twilight zone" destes senhores?Como explicarão estes senhores a antiga e respeitável ciência da Sociologia?Não posso deixar de fazer esta última pergunta, pois intertpretando literalmente a opinião destes reconhecidos filósofos, a Sociologia não poderá deixar de ser uma ciência sem qualquer utilidade prática , pois em última instância, o ambiente nada influencia, sendo o Homem totalmente livre para decidirr,até mesmo os efeitos que os outros detém sobre si.Enfim...em cada cabeça, cada Sociologia!
Augusto
1 comentário:
E claro, podemos sempre perguntar se as nossas acções não são fundamentalmente tomadas com base em impulsos biológicos inscritos na nossa matriz humana. Afinal de contas, aquele que come um bife em vez de uma posta de pescada fá-lo porque assim o quer e decide ou porque o seu cérebro lhe transmitiu a ideia de fome e a lembrança de que prefere o sabor do bife ao sabor do peixe? Estaremos assim tão distantes de máquinas? Não fosse pela nossa capacidade de amar, tão inexplicável pela razão, sem dúvida que diria "não".
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